Magic

Gosto de pensar em minhas refeições ao longo do dia como pequenas brechas para a magia tomar conta de minha vida.

Desde que me lembro tenho uma paixão por comer e enxergo isso como uma espécie de cura; Quando mais jovem, comia para satisfazer minhas necessidades - que eram bem básicas.

Uma coisa que aprendi com isso e tento usar até hoje é a palavra “limite”. Minha mãe ditava espécies de regras para nossa alimentação (minha e de minha irmã), no estilo “apenas 3 bolachas recheadas por dia” ou “duas fatias de pão na chapa no café da manhã” e funcionava perfeitamente - e, visto que nunca tive problemas com peso, nunca precisei fazer dieta ou coisa parecida. Mas eu percebia que sempre que não haviam limites impostos - como quando eu passava um final de semana com meus avós -, meu corpo mudava drasticamente e isso me incomodava mesmo com pouca idade (mas aí já é assunto para outro texto), então voltava para casa e estava feliz com meus limites impostos.

Com 16 anos de idade, comecei a namorar e, mais uma vez, comecei a comer mais do que o necessário e, francamente, sem controle. Passava muito tempo fora de casa - sem limites - e meses depois percebi o que isso havia feito ao meu corpo. Comecei, então, ao fim dos meus 17 anos, a cortar o açúcar de minha vida, que era o verdadeiro problema (de resto, sempre comi bem em termos de salada, legumes, verduras, frutas e carboidratos complexos), mas os doces eram meu ponto fraco.

Feito isso, adicionei idas frequentes a academia à equação e virou um belo mix de energia (que o açúcar em grandes quantidades me tirava) e endorfina (proporcionada pelas corridas e aulas de spinning).

Meses se passaram, entrei na faculdade, mudei de casa e parei de fazer academia. Fiquei meio ano parada mas não afetou meu corpo porque minha alimentação estava completa, sem deslizes. Até que, semanas antes de meu aniversário de 19 anos, comecei a comer sem limites novamente. Dessa vez, não era o açúcar o vilão e sim a quantidade de comida japonesa que eu era capaz de devorar. Não demorou mais de um mês para engordar 6kg (tenho 1,60m de altura, 6kg fazem uma diferença enorme).

Inconformada com o acontecido, em março comecei uma academia novamente. Voltei a me alimentar ouvindo meu corpo e suas necessidades, porém meus olhos continuavam maior que a barriga e, mesmo comendo extremamente “bem”, só vim perder meus primeiros kgs em junho e só voltei ao meu peso antigo antes das aulas voltarem, em agosto - num mix de energia e endorfina novamente, mas que dessa vez não fora instantâneo e sim trabalhos de meses para acontecer.

Ah! A vida era boa novamente. Comia sem grandes restrições, mas me respeitando. Açúcar não estava na equação, mas os ocasionais japoneses sim mas isso não quebrava mais meu ritmo.

Depois de um ano nessa constante felicidade alimentícia, saí da academia, comecei a estagiar e, com isso, a comer mal de vez em quando.
Como de 3 em 3 horas, o que é um tanto difícil quando se tem um ritmo frenético como eu costumo ter com a faculdade. Incluindo o estágio e a falta de endorfina da academia, minha vida estava de ponta cabeça mas mesmo assim eu me esforçava para levar lanchinhos saudáveis e fazer refeições boas e completas. No final do ano, de férias e com o sono em dia, vi o resultado positivo disso.

Hoje, na metade de meus 21 anos, de férias, fazendo academia regularmente, digo: eu como por prazer. Como para nutrir meu corpo E minha mente. Há uma linha muito tênue entre nutrir a mente e se entregar as vontades e “lombrigas”, como diz minha mãe.

Com nutrir meu corpo, penso em escolhas saudáveis e para cada refeição específica, tenho um tipo de comida que sei que me faz melhor.

Com nutrir minha mente, diferentemente do que vocês podem estar pensando com comer ômega 3 para a memória ou ferro, vitamina B, C, D, etc, eu digo que é satisfazer minhas vontades, mesmo que não saudáveis.

Hoje acordei e comi duas fatias de pão branco, na chapa com manteiga e sal. Bebi ainda uma xícara de leite com nescau. Há anos não faço isso - e nem sinto vontade. Não como carboidratos simples - felizmente, nem sou fã -, não gosto de manteiga e, leite com chocolate açucarado? Tenho azia só de pensar. Mas hoje não. E não há mal em me permitir o que minha mente quer.

Semana passada desejei mais do que tudo um brigadeiro crocantinho com banana e sal. Salivei de desejo. Fui para a cozinha e fiz, comi satisfeitíssima e isso me trouxe uma felicidade enorme.

O que não posso fazer e, admito, ainda luto bastante com, é me render ao hábito de fazer isso mesmo sem tanta vontade. Comi doce depois do almoço, depois do jantar mais uma fatia e, quando percebo, no dia seguinte, no próximo e assim por diante, minha vontade de comer doce só aumenta. Mas é uma vontade por hábito e não um desejo verdadeiro.

E, para parar com a vontade, é aquela velha regra de demorar o dobro do tempo. Então preciso me controlar e dizer “não!”, para aproveitar de verdade quando eu disser “sim” e, ainda mais importante, ficar feliz comigo mesma, vivendo uma vida equilibrada.


Your body is not a temple.
Your body is the house you grew up in.
It is your choice how you cherish it and
respect it.
You can go out work out
or you can stay and eat away.
People say society teaches us how to live
I say it preaches it to us.
But the only voice you need to hear
is the whisper of your heart.
So you do what you need to
to be happy.
Momentaneously,
if that is what you need most.
Long term,
when you’re a bit healed
and you know what’s best,

not for you at the moment,
but for your life,

as you live.

I’m scared as hell to want you. But here I am, wanting you anyway.
― Unknown (via fawun)

(Source: gracefully-found)

nyehs:

the ONLY acceptable comment on my selfies

  • image

bagmilk:

people who scream when the teacher turns off the lights

image

(Source: heteroh)